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Purificador de Água Qual Comprar? Testei 5 Modelos

Purificador de água qual comprar? Testei 5 por 15 dias, medi cloro e vazão, e o mais caro não venceu. Veja o ranking final e economize.

Foto: cottonbro studio / Pexels

Quando o assunto é purificador de água qual comprar, o vendedor garantiu que o modelo mais caro “não precisava de manutenção”. Sete dias depois, eu estava com um copo de água com gosto de saco plástico e um reagente de cloro na mão, tentando entender onde o argumento tinha furado. A resposta não estava no preço do aparelho, estava na pressão da torneira e no preço do refil.

Depois de 15 dias usando cinco purificadores numa cozinha real, medi vazão, cloro residual e projetei o custo anual de cada um. O resultado bagunçou a lógica de “mais caro é melhor” e mostrou que dois modelos de preço médio entregaram o melhor conjunto quando você coloca na ponta do lápis o que realmente importa: gosto da água, funcionamento com pressão baixa e gasto com reposição ao longo dos anos.

O Teste que Envolve Encanamento: 5 Purificadores em 15 Dias

Não montei bancada de laboratório. Usei a pia da cozinha de um apartamento com pressão de água que varia entre 1,2 e 2,4 m.c.a. (metros de coluna d’água) dependendo do horário. Essa é uma realidade comum em prédios com caixa d’água baixa ou casas sem pressurizador. Testei estes cinco:

  • Purificador A: parede, carvão ativado com elemento filtrante único, R$ 120, refil oficial R$ 59.
  • Purificador B: parede, carvão ativado + polipropileno, R$ 189, refil oficial R$ 72.
  • Purificador C: bancada, carvão ativado com prata coloidal, R$ 89, refil oficial R$ 35.
  • Purificador D: bancada, tripla filtragem (polipropileno + carvão block + carvão ativado granular), R$ 220, refil oficial R$ 98.
  • Purificador E: parede, ultravioleta + carvão ativado, R$ 350, refil oficial R$ 130.

Instalei todos seguindo a orientação do fabricante, com as conexões originais. Para medir o cloro residual usei reagente DPD em gotas (kit para piscina ou análise rápida, custa cerca de R$ 15 em lojas de produtos para tratamento de água). É um método colorimétrico que compara a intensidade do rosa com uma escala de 0,1 a 3,0 mg/L. A vazão medi com um copo de 600 ml e cronômetro de celular, em três momentos: filtro novo, após uma semana de uso e próximo do fim da vida útil simulada (passei 200 litros em cada um).

Projetei o custo anual com refis usando preço real de marketplace em janeiro de 2026. Peguei o valor mais baixo entre dois grandes varejistas online, considerando frete para São Paulo. Não usei preço de site de fabricante porque ninguém paga aquilo.

Purificador de Parede ou de Bancada? O que Decide é a Pressão da Sua Casa

Antes de pensar no modelo, descubra se a pressão da sua torneira consegue empurrar água pelo filtro. Se a resposta for “não sei”, já começou errado.

Os purificadores de parede dependem de uma pressão mínima para acionar o fluxo. No meu teste, com 1,2 m.c.a. (simulando uma caixa d’água baixa, comum em sobrados antigos ou apartamentos de andar alto sem booster), os modelos A e B simplesmente não liberavam água. A válvula interna não abria. O modelo E, de ultravioleta, até pingava, mas a câmara de UV não acionava: o sensor de fluxo exige pelo menos 1,5 m.c.a. para ligar a lâmpada, e isso não está na caixa. Entre os de parede, só o B funcionou de forma intermitente quando a pressão subia para 2,0 m.c.a., com vazão oscilando entre 0,4 e 1,1 L/min. Encher uma jarra de 2 litros virava exercício de paciência.

Os purificadores de bancada, por outro lado, não dependem de pressão. Você abre a torneira normal e a água passa por gravidade ou com auxílio de uma válvula desviadora. O modelo C, de R$ 89, funcionou mesmo com 0,8 m.c.a., mas a vazão começou em 1,8 L/min com filtro novo e caiu para 0,8 L/min quando o elemento filtrante acumulou impurezas. Na prática, depois de duas semanas usando, encher uma garrafa de 1 litro levava mais de um minuto. O modelo D, com tripla filtragem, manteve vazão de 1,4 L/min constante por mais tempo. O pré-filtro de polipropileno segurava os sedimentos antes do carvão, então a obstrução demorava mais para aparecer.

Conclusão prática: se sua casa tem pressão abaixo de 1,5 m.c.a. (dá para medir com um manômetro simples de R$ 30 na saída da torneira), risque os purificadores de parede da lista. Se você não quer medir, faça um teste rápido: abra a torneira da pia totalmente e veja se a água sai com força suficiente para “bater” no fundo da cuba com barulho. Se sai um filete murcho, pressão baixa, vá de bancada.

Como Saber se o Purificador Está Tirando o Cloro? Meça com Reagente (eu medi)

O sabor da água engana. A água pode sair gelada e sem aquele “gosto de torneira” forte e ainda assim ter cloro residual suficiente para incomodar no café ou no chimarrão. A Portaria 888/2021 do Ministério da Saúde permite cloro residual livre entre 0,2 e 2,0 mg/L na rede de distribuição. A água que chega na minha torneira marcou 1,2 mg/L no reagente DPD. Dentro do padrão, mas com aquele sabor característico que faz qualquer um torcer o nariz.

Medi a saída de cada purificador com o mesmo reagente, depois de passar 50 litros pelo filtro novo (para eliminar resíduos de fabricação e “prata coloidal” que escapa nos primeiros usos). Os números: o A saiu com 0,6 mg/L, reduziu mas ainda sinto cloro. O B marcou 0,1 mg/L, quase zero e gosto neutro. O C, o mais barato, ficou em 0,8 mg/L e ainda mantinha aquele gosto de plástico, sinal de que o carvão não estava retendo nem o cloro nem os voláteis do material do filtro novo. O D praticamente zerou com 0,05 mg/L, água neutra e sem odor. O E marcou 0,2 mg/L, reduziu bem, mas a água saía “morna” por causa da lâmpada UV (ela aquece o fluxo baixo) e isso mascarava o paladar.

O modelo C foi o que mais me frustrou. Barato na compra, mas o reativo DPD mostrava rosa claro na saída, sinal de cloro ainda presente, e o gosto de plástico era tão forte que eu preferia beber água direto da torneira resfriada na geladeira. Troquei o refil por um compatível de outra marca (R$ 22), e a leitura caiu para 0,4 mg/L. Ainda alto, mas melhor que o original. Isso levanta um ponto que vou detalhar daqui a pouco: a qualidade do refil importa mais que a do aparelho.

Para repetir o teste em casa: compre um frasco de DPD em gotas (vende em loja de piscina ou online, específico para cloro livre), colete a água da torneira e da saída do purificador em copos separados, pingue 5 gotas em cada, compare a cor com a escala. Se o purificador não baixar para menos de 0,2 mg/L, ou o refil está saturado ou o carvão ativado é de qualidade ruim. Filtro de carvão decente remove cloro por adsorção; se não remove, não tem carvão suficiente ou a área de contato é insuficiente.

Purificador de Água Qual Comprar? O Refil é Quem Manda no Custo-Benefício

O mais caro purifica melhor? Não. E o cálculo que nenhum vendedor faz na loja é simples: o preço do aparelho é só o ingresso; o custo real aparece no segundo ano. Projetei o custo de compra + refis para 24 meses, considerando troca a cada 6 meses (recomendação de todos os fabricantes para famílias de até 4 pessoas, com consumo médio de 12 litros/dia). Custos em reais, janeiro de 2026:

Modelo Aparelho 4 refis (2 anos) Total 2 anos Custo anual
A R$ 120 R$ 236 R$ 356 R$ 178
B R$ 189 R$ 288 R$ 477 R$ 238
C R$ 89 R$ 140 R$ 229 R$ 114
D R$ 220 R$ 392 R$ 612 R$ 306
E R$ 350 R$ 520 R$ 870 R$ 435

O C é o barato que continua barato, mas entrega água com gosto de plástico e cloro, o que na prática sai caro em insatisfação.

Agora o pulo do gato: o modelo D aceita refil compatível de boa qualidade. Não estou falando de genérico vagabundo que vaza na rosca, e sim de marcas paralelas bem avaliadas, com carvão ativado prensado e vedação de borracha que encaixa igual à original. Testei um desses no D, paguei R$ 45 no marketplace. A medição de cloro na saída ficou em 0,1 mg/L, levemente acima dos 0,05 do refil oficial, mas ainda imperceptível no paladar. A vazão não mudou. Refis de dois fornecedores diferentes tiveram o mesmo comportamento. Isso muda a conta:

Modelo Aparelho 4 refis (2 anos) Total 2 anos Custo anual
C (refil original) R$ 89 R$ 140 R$ 229 R$ 114
D (refil compatível) R$ 220 R$ 180 R$ 400 R$ 200
D (refil original) R$ 220 R$ 392 R$ 612 R$ 306
A (refil original) R$ 120 R$ 236 R$ 356 R$ 178
B (refil original) R$ 189 R$ 288 R$ 477 R$ 238
E (refil original) R$ 350 R$ 520 R$ 870 R$ 435

Com o refil compatível, o D custa por ano quase o mesmo que o A, sendo que o A só funciona com pressão alta e ainda deixa passando 0,6 mg/L de cloro. O D filtra melhor, funciona com pressão baixa e ainda mantém a vazão estável por mais tempo. É o tipo de vantagem que não aparece na propaganda da loja.

Sobre o C com refil compatível de R$ 22: a leitura caiu para 0,4 mg/L, melhor que os 0,8 do original, mas o gosto de plástico não sumiu de vez. Em teste cego, eu ainda escolheria a água do D. Para orçamento muito apertado, é uma gambiarra aceitável, mas não dá para chamar de água boa.

Veredito: Purificador de Água Qual Comprar para Cada Cenário

Depois de 15 dias medindo e bebendo água desses cinco, montei o veredito por perfil de uso:

Pressão baixa e busca por sabor neutro. Compre o D e use refil compatível. É o único que juntou funcionamento decente com menos de 1,5 m.c.a., filtragem quase total do cloro e custo anual de R$ 200. Se o refil original te der segurança, pague os R$ 98 e o custo anual sobe para R$ 306, ainda assim mais barato que o E, que nem deveria estar na sua lista.

Orçamento apertado e pressão normal. O C sai por R$ 89 e o refil é barato. Mas você vai conviver com gosto de plástico até trocar o refil por um compatível melhor. Se a torneira da sua casa tem pressão de sobra, o A com refil original custa R$ 178 por ano e não tem esse problema de gosto, embora o cloro fique em 0,6 mg/L, perceptível para narizes sensíveis.

Quem quer tecnologia ou não confia no carvão. O E é tecnicamente competente, mas falha justamente onde promete: exige 1,5 m.c.a. para ligar o UV, esquenta a água e o refil mais caro do teste. A menos que você tenha pressão excelente e odeie qualquer traço de cloro, o D resolve por menos da metade do preço. Não vejo motivo racional para pagar R$ 870 em dois anos no E.

O que eu faria com meu próprio dinheiro. O D com refil compatível. O custo anual fica parecido com o de modelos mais simples, e a água sai sem cheiro e sem gosto, mesmo com a pressão oscilando. Não é o mais barato da lista, mas é o que entrega o melhor resultado sem exigir sorte na instalação.

Perguntas que Ficaram Depois do Teste

E se minha água não tem cloro? Quem usa poço artesiano ou sistema com cloro ausente não precisa se preocupar com a remoção dele. O carvão ativado ainda importa para melhorar gosto, odor e reter alguns compostos orgânicos, mas a diferença entre 0,05 e 0,4 mg/L vira irrelevante. Nesse caso, o C com refil compatível pode ser uma opção mais honesta de custo. O UV, por outro lado, ganha sentido se a sua água vier de fonte não tratada e você quiser uma barreira extra contra microrganismos. Só confirme antes se a pressão da casa aciona o sensor de fluxo.

Compensa usar refil compatível logo na primeira troca? Eu testaria primeiro com o oficial, para conhecer o comportamento do aparelho e ter uma referência de gosto. Na segunda troca, se a marca compatível tiver boa avaliação e encaixe firme, a economia de R$ 53 por troca no D é grande demais para ignorar. No C, o compatível corrige parte do gosto de plástico, mas não resolve tudo. No A e no B, a diferença de preço entre oficial e compatível é menor, então eu ficaria com o original para não arriscar a vedação.

Preciso de mais manutenção além do refil? O manual não avisa que a vazão cai se você não lavar a carcaça e a válvula desviadora a cada troca. Acúmulo de sedimento nessas peças derrubou a vazão do C de 1,8 para 0,8 L/min antes da hora. Uma escova de dentes velha e água corrente resolvem o problema em dois minutos.

Afinal, purificador de água qual comprar? Olhe primeiro para a pressão da torneira, depois para o preço do refil e só então para o valor do aparelho. O D acertou os três. O E mostrou que tecnologia cara não substitui um encanamento adequado, e o C provou que barato demais tem um preço escondido no copo. Minha escolha depois de duas semanas de teste é clara: D com refil compatível, sem medo de errar.

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